Na última matéria vimos como funciona um piano. Dessa vez, mostraremos dicas e exercícios para fazer melismas ao cantar.

Você faz melismas da forma correta? Ou melhor, você faz melisma? Ainda melhor: você sabe o que é o melisma?! Esse ornamento é a menina dos olhos de ouro de muitos cantores, mas muitos ainda não entendem muito bem o seu funcionamento. Então, vamos conhecer um pouco mais sobre as bases da técnica neste artigo.

O que é Melisma?

O melisma é um ornamento vocal composto por um conjunto de várias notas que são cantadas dentro de uma mesma sílaba. Parece confuso? Então imagine aqueles cantores que fazem várias “piruetas” encima de uma vogal, como “a” ou “o”. Algo como um improviso feito encima de uma única vogal. Imaginou? É mais ou menos isso!

Muitas vezes, os cantores se utilizam dessa técnica nas finalizações de frases, fazendo com o que a canção seja uma música melismática (algo facilmente observável em obras do Ed Motta). Algo bem diferente acontece na música silábica, onde temos uma nota diferente por sílaba (algo facilmente observável no samba, como na música Para-Raio do Djavan).

História dos Melismas

O melisma tem base nos ritos e nos cultos religiosos, tendo sido amplamente utilizado no canto gregoriano e em culturas antigas. No primeiro caso, ele era utilizado por coralistas que tinham a intenção de louvar a Deus e que aumentavam a duração das sílabas no canto. No segundo caso, a intenção era a de envolver ou “hipnotizar” os ouvintes para que todos pudessem imergir mais afundo no culto religioso.

O melisma também aparecia bastante na música hindu e muçulmana e, depois de alguns séculos, a técnica foi adotada pelos escravos americanos. Eles absorveram as influências do canto gregoriano que ouviam nas casas dos escravocratas e mesclaram com a sua identidade gospel, agilizando esses ornamentos. Assim, o melisma ganhou um pouquinho mais de swing, que criou as bases para a utilização da técnica como vemos hoje em alguns gêneros (R&B, Soul, Gospel, Blues etc).

Referências no Melisma

Sendo uma técnica tão disseminada dentre diversos gêneros, você já deve ter imaginado que o melisma é amplamente utilizado por vários cantores, certo? Sendo assim, podemos listar alguns nomes nacionais e internacionais que ficaram famosos por serem especialistas nesse ornamento vocal:

  • Whitney Houston
  • Mariah Carey
  • Jessie J
  • Beyoncé
  • Aretha Franklin
  • Stevie Wonder
  • Chick Rodgers
  • Ed Motta
  • Leonardo Golçalves

Melisma, Improviso ou Apogiatura?

Muitas pessoas confundem esses três termos, pois os conceitos podem ser realmente bastante similares. No entanto, a primeira diferenciação que podemos perceber é que o melisma é uma técnica exclusiva do cantor. Nenhum outro instrumento pode executar esse tipo de ornamento.

A apogiatura se assemelha ao melisma por ser outro ornamento, sendo um breve fraseado composto por algumas notas que podem ser cromáticas ou não. Aqui, a principal diferença é que, diferentemente do melisma, as notas de uma apogiatura não precisam ser cantadas dentro de uma mesma sílaba (característica essencial da técnica cantada).

Quanto ao improviso, bem, você já ouviu melismas gravados, certo? E a gravação de uma música é improvisada? Ao menos nos dias de hoje, isso é bastante improvável. No entanto, nada impede que um cantor execute melismas durante um improviso, né? Então, podemos concluir que o improviso vocal pode realmente ser um melisma, mas o melisma não necessariamente é um improviso.

Como Treinar Melismas

Assim como na grande maioria das técnicas, principalmente dos instrumentos em geral, o ideal é treiná-las em uma velocidade lenta e depois ir aumentando. Também é importante fazer uma série repetindo algum exercício por um determinado número de vezes.

No caso do melisma, você pode fazer 3 repetições dos exercícios e pegar o metrônomo para iniciar em uma velocidade confortável – 90 bpm pode ser um bom começo! Faça essa série diariamente e aumente 5 ou 10 bpms quando você se acostumar com o exercício até chegar numa velocidade legal.

Gostou? Esses exercícios são baseados nas pentatônicas maior e menor, mas nada impede de você criar os seus próprios padrões de melismas! Por exemplo, imagine que você queira dar uma sonoridade árabe nas suas composições depois de dominar a técnica na pentatônica. Então que tal estudar a escala árabe, pegar as notas características e criar seus próprios fraseados com ela? Seja criativo!

Melismas Exagerados?

Muitas pessoas pegaram um certo “ranço” (para usar uma palavra que está na boca do povo atualmente hehe) da técnica porque acreditam que ela é exagerada e serve apenas para mostrar virtuosismo vocal. Bem, é verdade que alguns cantores exageram na dose, mas nós sabemos que tudo em excesso faz mal, né?

Você certamente terá problemas de saúde se comer chocolate todos os dias, além de enjoar do doce. Então, tendo isso em mente, vale ressaltar que utilizar o melisma não é um crime, desde que seu uso não seja excessivo.

Pense em agregar valor à música quando estiver compondo seus materiais e sempre reflita sobre aonde o melisma ficaria legal e aonde ele não seria tão bem colocado. Lembre-se que assim como você pode enjoar do chocolate, os ouvintes podem enjoar dos melismas excessivos. E, em contrapartida, eles podem amá-los quando eles são utilizados em momentos propícios!

Fonte: Vocal Completo

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